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Entre a Verdade e o Segredo: Reflexões sobre Identidade e Crossdressing

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Pouco antes de ler esse texto (ainda em 2019), eu passei por uma verdadeira “purge”. A pandemia de COVID-19, declarada oficialmente pela OMS em 11 de março de 2020, mudou muito em mim e na forma como encaro meu lado feminino. Naquele período, decidi me afastar do meu lado crossdresser, deletando perfis em redes sociais e sites, apagando fotos e jogando fora a maior parte das roupas e acessórios que me permitiam expressar minha identidade. Foi doloroso, mas extremamente revelador, e me fez refletir sobre a complexidade de viver entre dois mundos. Na mesma época, li o relato de Flávia Bianco, publicado em 28 de junho de 2020 no site Bebe.com.br, sobre sua trajetória de descoberta e afirmação da identidade feminina depois de décadas vivendo como homem. O texto completo pode ser conferido aqui Sua história me marcou profundamente, pois aborda coragem, perdas, reconexão e a força necessária para viver de forma autêntica — temas que todo crossdresser conhece bem. A “purge” para um crossdr...

Entre a Verdade e o Segredo: Experiências de Crossdressing

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Há algum tempo li uma matéria no Universa/UOL sobre um militar reformado que assumiu publicamente ser crossdresser. A reportagem mostra a história dele com respeito e sem sensacionalismo, o que já é raro. Fonte: Universa UOL – https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2024/02/01/crossdresser-militar-reformado.htm O que mais me marcou foi a naturalidade com que ele descreve algo que, para quem está de fora, parece “corajoso demais”, mas para nós é simplesmente uma necessidade: existir também no feminino. A matéria conta que, durante toda a carreira militar, ele viveu sob disciplina absoluta, regras, rigidez, cobrança… e mesmo assim, dentro de tudo isso, havia um lado dele que nunca deixou de pulsar. Não era fantasia, não era brincadeira — era identidade. E aí eu paro e penso: como tantos de nós fazemos isso também. Vivemos no automático, cumprimos nossos papéis, passamos por ambientes que exigem neutralidade, força, seriedade… e guardamos a feminilidade como quem protege um s...

Rogéria: a história da "travesti da família brasileira"

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   Nascida no dia 25 de maio de 1943, em Cantagalo (RJ), Rogéria foi uma atriz e cantora que abriu portas para a presença LGBTQIAP+ na grande mídia. Símbolo da comunidade, ela se autointitulava “a travesti da família brasileira” .  O interesse pelas artes surgiu na adolescência, quando também começou a desafiar os padrões de gênero . Ela desfilou montada pela primeira vez em 1964, durante um concurso, e foi nesse evento que recebeu do público o nome “Rogéria”, que viria a adotar pelo resto da vida. Com os contatos que fez enquanto trabalhava como maquiadora na televisão, ela se lançou na carreira artística. Um sucesso, Rogéria começou nos palcos cariocas e chegou até as noites de Paris ; tudo isso durante a repressão e censura da ditadura militar . Ao longo de 50 anos de carreira, incorporou o elenco de peças de teatro, novelas e filmes, além de somar dezenas de participações em programas televisivos . Pelo reconhecimento de seu talento, inclusive, ela levou o Trofé...

Brasil segue no primeiro lugar do ranking de assassinatos de transexuais

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    O Brasil continua a ser o país onde mais transexuais são mortos, segundo dados da ONG Transgender Europe (TGEU), divulgados nesta semana, em razão da proximidade do Dia Internacional da Memória Trans, no próximo dia 20. Entre 1º de outubro de 2017 e 30 de setembro deste ano, 167 transexuais foram mortos no Brasil. A pesquisa, feita em 72 países, classificou o México em segundo lugar, com 71 vítimas, seguido pelos Estados Unidos, com 28, e Colômbia, 21. A organização contabilizou um total de 369 homicídios de transexuais e indivíduos não-binários, indicando um aumento de 44 casos em comparação com a pesquisa do ano passado e de 74 casos com relação a 2016. No Brasil, foram contabilizadas 171 mortes, em 2017, e 136, em 2016. Em ambas situações, o país ocupou o primeiro lugar no ranking. Segundo a Transgender Europe, com sede na Alemanha (e não na Suécia, como fora informado a...

O caminhoneiro crossdresser que roda o Brasil de montada e de salto alto

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  O caminhão Mercedes, de cor azul bebê, estaciona e abre as portas. A motorista, Afrodite, de 68 anos, desce com destreza em cima de um par de saltos, habilidade conquistada nas décadas em que utilizou o calçado escondida de todos. Seu vestido é de cor preta, uma forma de luto, em respeito à morte do homem que foi um dia. Afrodite nasceu Heraldo Almeida Araújo - nome que consta em todos os seus documentos -, mas há cerca de seis meses pede para ser chamada pelo nome feminino, escolhido por conta da admiração que nutre pela deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade. Em meados do ano passado, decidiu se assumir como crossdresser, prática na qual homens utilizam roupas e acessórios considerados femininos. "Desde criança, sempre me senti mulher. Perguntava para a minha mãe por que meus seios não cresciam e ela dizia que homens não têm seios. Nunca entendi por que nasci assim", revela. Afrodite se considera heterossexual e parou de se envolver com mulheres há alguns anos. E...

Crossdresser não significa homossexual

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    Grande parte das pessoas que ficam sabendo da existência dos crossdressers tende a pensar que eles se vestem de mulheres por serem homossexuais ou por terem algum tipo de distúrbio psicológico. Mas especialistas dizem que uma coisa não tem nada a ver com a outra. "Não tem ligação alguma. O modo como você se veste não pode definir a sua orientação sexual. Existem muitos homens que se fazem de machões e que têm tendências homossexuais", explica o psicólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), que tem estudos na área, Paulo Roberto Ceccarelli. De acordo com Ceccarelli, não é possível trabalhar com a hipótese de distúrbio psicológico porque os conceitos de feminino e masculino são culturais. "Cada ser humano tem um pouco do feminino e um pouco do masculino. É a cultura que define como vai ser essa identidade sexual", explica. Para o especialista, os crossdressers surgem de uma necessidade de se questionarem os va...

Entenda a diferença entre crossdresser, travesti, transexual e dragqueen

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Uma mulher transexual que ainda não fez uma cirurgia de redesignação genital — mais conhecida como "mudança de sexo" — se apaixona por outra mulher. Difícil de entender? Pode ser. O conceito de transgênero abriga uma variedade de identidades e sexualidades mais diversa que as matizes da bandeira de arco-íris que lhe representa. Nada nesse universo é simples ou cabe no termo “normal”, mas, de perto, ninguém o é mesmo. — Transexual é o indivíduo que nasce biologicamente pertencente a um determinado sexo, mas sente-se, percebe-se e tem a vivência psíquica de pertencer ao outro sexo. Dizemos que a identidade de gênero (saber-se homem ou mulher) não é congruente com o sexo anatômico, biológico — explica Alexandre Saadeh, psiquiatra coordenador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. Identidade A identidade de gênero é o conceito básico para entender a realidade de quem se sente diferente dentro do próprio corpo. É o caso de ...